segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Meu breve encontro com Edmundo, Moleque Ordinário

Em Portugal, os famosos pubs se tornaram cada mais mais comuns e vulgarizados, de forma que a entrada de jovens era permitida, quase intimada. Estávamos entre duas vielas, próximas a uma porta de madeira que se fazia passagem para um mundo mais proibido, com bebidas alcóolicas e cortinas vermelhas. Logo avistamos um rapaz sentado naqueles bancos que giram. Era conhecido; chamava-se Edmundo e vivia o auge de sua puberdade, imagine só! Sabíamos que ele sentia impulsos sexuais e almejava satisfazer suas necessidades vitais, tais como possuir corpos alheios, entrelaçar línguas e essências - nada além dos conhecidos e comuns aspectos carnais -, pois uma vez sua mãe contou à minha que o pegara rezando para que belas donzelas se apaixonassem por ele e o fizessem descobrir a doçura do mundo, dessa forma, corpo-com-corpo. Sempre fôramos apaixonadas por ele - eu e minha prima -, por seus traços faciais, por seu cabelo bagunçado e até por seu desejo impaciente de se tornar adulto para fazer da vida o que achasse mais apropriado. Ele era bonito, mas tinha cara de moleque e um charme desajeitado, o que fazia com que as mulheres mais velhas mal o encarassem e preferissem os caras mais velhos, com barba, músculos e bafo de cerveja. De toda forma, entramos no pub e o observamos discretamente, sentadas a uns bons sete metros de distancia. Meninas como nós não eram tão bem vindas, pois bebiam apenas pequenas doses para impressionar os rapazes que também bebiam com essa finalidade; assim, ocupávamos muito espaço e pouco davam lucro. De toda forma, nos aproximamos, pedimos ao barmen uma bebida portuguesa cuja nome não lembro mais e subimos um pouco as nossas saias para que um pedaço das coxas aparacesse. Ela - a minha prima Lucinda - pediu licença e foi ao banheiro porque realmente precisava fazer xixi, deixando-me de frente para Edmundo.
Céus, os olhos dele pareciam claros mesmo sob a fraca iluminação daquele ambiente londrino. “Falo com ele? Fico sentada esperando? Deixo essa oportunidade escorrer entre meus dedos?”. Muitas possibilidades e perguntas encheram minha mente de forma urgente e desesperada. Eu não podia perder muito tempo pensando em minhas opções, pois a bexiga de minha prima logo se esvaziaria e seríamos duas novamente. Decidi estudá-lo por alguns instantes e percebi claramente seu olhar quase que faminto para os seios saltitantes do decote da moça bonita vestida como princesa. Eu não era muito dotada de corpo, tendo pequenos volumes onde vastos seios deveriam se encontrar e um traseiro regular, com pernas, braços e quadris também regulares, e obviamente não chegava aos pés de quem meu amor admirava, mas nem me importei. Levantei-me e abordei-o educadamente.
- Olá, Edmundo! Que coincidência encontrá-lo por aqui! Como vai?
- Muito bem, obrigado.
- Lembra-se de mim, certo? Anita…
- Lembro, sim.
- Hm, se importaria se eu apossasse-me dessa cadeira? Minha prima me deixou sozinha por um momento e eu realmente gostaria de sua companhia.
- Não, tudo bem, relaxa aí.
(um pouco de silêncio)
- E como vai a vida? Bebendo muito?
(risos constrangidos)
- Arrã. (pausa) - Me mostre teus seios.
(muitos risos constrangidos, um leve tom de indignação)
- Como é que é, rapaz?
- Conheço esse tipo de moça que chega com papo furado e sobe a aba da saia pra se fazer mulher. Mostra logo esses seios, se forem bonitos a gente se ama um bocado.
- Ah, seu moleque desprovido! Não fale desse jeito comigo!
- Eu falo como quiser. Ou tu mostras ou não o fazes, cacete. Não me amole pois tenho mais o que fazer.
- Ei, saiba que sou menina de respeito e nesse meu busto você jamais irá pôr os olhos! Que desencantador, que blasfêmia!
- Então por causa de que que tu seguras esse copo de bebida? Pra me impressionar, num é? Ah, menina, eu gosto de mulher boa, que bebe porque gosta da ardência da bebida e adora se mostrar um pouquinho, isso sim!
- Pois afogue-se nessas bebidas que nada me agradam e enfie esse papo promissor onde o sol não bate! Seu safado boboca!
Derramei o resto de bebida que existia no meu copo em sua calça, chamei por minha prima e dei de costas.
Safado boboca, esse tal de Edmundo!… Meu amor se desmanchou, o encontro teve fim. Que suas preces nunca fossem cumpridas e o desejo por corpos o consumisse de dentro pra fora. Assim amaldiçoei-o e fui-me embora.

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